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Ação internacional busca qualificar atendimento a vítimas de AVC

Via ZH

Vítimas de acidente vascular cerebral (AVC), quando sobrevivem, podem enfrentar problemas sérios, como perda de força nos membros, dificuldades na fala e na visão e desequilíbrio, condições que comprometem a retomada da vida pessoal e profissional, prejudicando toda a família. É fundamental que o paciente receba socorro imediato se apresentar sintomas como tontura e paralisia parcial ou total.

AVC IDOSO

— Quanto mais tempo passa, mais o cérebro vai morrendo. O fator mais importante para ficar sem sequelas é chegar cedo ao hospital — destaca a neurologista Sheila Martins, chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento (HMV) e representante da Organização Mundial de AVC no Brasil.

Ainda que no Brasil o AVC tenha caído para a segunda principal causa de morte, ficando atrás apenas do infarto — durante duas décadas, até 2011, o AVC ocupou a primeira posição —, o atendimento rápido e adequado das vítimas segue movimentando esforços de instituições de saúde mundo afora.

Sheila representa o HMV nas reuniões do Consórcio Internacional para Medida de Desfechos em Saúde (Ichom, na sigla em inglês) que definiram o atendimento mais adequado às vítimas, compreendendo desde o momento da admissão no serviço de emergência até cinco anos depois da ocorrência. O Ichom é um grupo de instituições da área que vem trabalhando para padronizar, no mundo, o atendimento a pacientes acometidos por algumas das mais frequentes e temidas doenças.

O HMV é o único representante da América Latina no grupo sobre AVC do Ichom. A instituição gaúcha já está implementando novas práticas que, com o tempo, devem ser repassadas a outras instituições, públicas e privadas. Além de disseminar as medidas mais eficientes, reduzindo o impacto das sequelas físicas e psicológicas, o objetivo da iniciativa liderada pela Universidade de Harvard, nos EUA, é permitir que entidades de diferentes países possam reunir e comparar dados sobre suas performances, otimizando processos e aplicação de verbas.

No hospital, mais de cem vítimas de AVC estão sendo monitorados a partir de entrevistas por telefone. Um profissional da área da saúde entra em contato para saber como a pessoa está: se consegue caminhar, vestir-se e se alimentar sozinha, se é capaz de falar, se vem seguindo a prescrição de medicamentos corretamente, se está sofrendo de depressão. A partir das respostas ao questionário, outros encaminhamentos podem ser dados a cada caso. Até então, não se conhecia em detalhes a situação do doente após a internação.

— Nos preocupávamos muito com o processo e esquecíamos de ver com o paciente o que era importante para ele. O impacto de um AVC pode ser brutal: desde uma sequela mínima na mão até a incapacidade de se comunicar. Sem tratamento adequado, 70% dos pacientes ficam com sequelas — afirma Sheila.

O consórcio internacional está criando protocolos para diversas outras enfermidades, como doença de Parkinson, demência, câncer de próstata e de pulmão. Com a adoção das ações unificadas por um número cada vez maior de instituições e países, a produção científica também será beneficiada. Produzidos a partir de um modelo comum, os dados poderão ser comparados em nível local, nacional e mundial. Para Fernando Andreatta Torelly, superintendente executivo do HMV, as instituições de saúde precisam, mais do que dizer que estão atendendo determinado número de doentes, construir indicadores de qualidade do serviço prestado e compartilhar essas informações com a sociedade. A metodologia internacional também ajudará a definir o melhor destino para os recursos financeiros disponíveis.

— Se cada um utiliza uma régua para calcular como está fazendo o seu tratamento, não há como comparar. Vamos conseguir comparar o resultado da medicina do Rio Grande do Sul com a de Londres, Paris, Estados Unidos, para ver onde estamos, o que temos de melhorar, desmistificar algumas áreas. A medicina de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul é comparável às melhores — diz Torelly.

O que é o AVC

Acidente vascular cerebral (AVC) é o termo médico para definir o que é popularmente conhecido como derrame. Pode ser definido como o surgimento de um déficit neurológico súbito causado por um problema nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central. Subdivide-se em dois tipos:

AVC isquêmico: ocorre quando há a obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria do cérebro, provocando falta de circulação. Entre as causas, pode estar o aparecimento gradual de material viscoso e gorduroso nas paredes dos vasos ou o deslocamento de um coágulo de sangue formado em algum lugar do corpo _ ele se solta e flutua até os vasos cerebrais, onde provoca a obstrução da circulação. Corresponde a cerca de 85% dos casos.

AVC hemorrágico: causado pela ruptura espontânea (não traumática) de um vaso. O sangue extravasa para o interior do cérebro ou para o espaço ao redor.

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