Seu portal de notícias sobre o envelhecimento

Enfrentando a demência num ambiente familiar

Via The New York Times

 

Moradores idosos com demência ficam confinados em Hogewey, na Holanda, mas podem passear pelo complexo. Theo Visser com a esposa, Corrie, que é paciente

 

O complexo de 23 unidades Hogewey lembra qualquer outro condomínio residencial nesta região. Os apartamentos dão para um pátio com bancos, lagos, fontes e canteiros de flores. Um lago em formato de rim, repleto de vegetação, às vezes atrai patos selvagens.

A área possui muitas comodidades: um pequeno supermercado, um cinema e um restaurante que atrai pessoas da região. Os moradores também podem participar de diversas atividades, como clubes de música, aulas de culinária, pintura e jardinagem.

Porém, se Hogewey não parece tão diferente de um típico complexo residencial, essa é exatamente a intenção. Seus 152 moradores são idosos com demência avançada, mas em vez de limitados a um asilo comum, eles vivem aqui por US$ 6.555 ao mês, de seis a oito por apartamento, onde são cuidados por dois ou mais profissionais treinados.

Os residentes são confinados em Hogewey para sua segurança. Mas dentro do complexo podem se movimentar livremente, até onde forem capazes. Numa tarde recente, os moradores de um apartamento, montado como “urbano” para refletir os gostos de seus residentes, se reuniam numa sala de jantar.

“Às vezes compramos, e outras ouvimos música clássica”, disse Jo Verhoerf. “Meu pai gostava de música clássica. Meu pai era o homem da música.”

A esposa de Theo Visser, Corrie, que usa uma cadeira de rodas, não fala – mas gosta de companhia. “Agora, há mais convivência”, afirmou Visser, de 81 anos.

A ideia por trás de Hogewey se desenvolveu ao longo dos últimos 20 anos. Mas foi só depois da construção das novas instalações, em 2009, que o local começou a se destacar como uma resposta humana e econômica a uma doença que faz um número cada vez maior de vítimas, à medida que a expectativa de vida aumenta no mundo desenvolvido.

Num relatório divulgado no mês passado, a Organização Mundial de Saúde afirma que o número de pessoas com demência dobrará até 2030, chegando a mais de 65 milhões, e triplicará até 2050, enquanto a população mundial envelhece.

Jannette Spiering, a diretora de Hogewey, começou a trabalhar com pacientes de demência num arranha-céu convencional. Ela e seus colegas passaram a achar que os pacientes sofreriam menos stress se estivessem num ambiente mais familiar, e se fossem mantidos mais ativos.

Assim, eles começaram a criar espaços de moradia e áreas para refeições com cozinhas móveis – para que os pacientes, vivendo em pequenos grupos, pudessem vivenciar uma residência normal.

Quando a operadora do asilo, um grupo estatal de casas de repouso chamado Vivium, decidiu construir novas instalações, o projeto refletiu essas mudanças.

A Dra. Anneke van der Plaats, geriatra e consultora em Hogewey, gosta da forma como os residentes são estimulados a ajudar na cozinha, na lavanderia, ou uns aos outros. “Se você tem demência, é muito bom poder ajudar outras pessoas”, disse ela. “Uma pessoa com demência não precisa ficar sentada sozinha.”

Share

Deixe uma resposta

%d bloggers like this: