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RPT tem 700 idosos em casa de repouso

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por Aline Macário em Jornal O Liberal

Como um serviço cada vez mais necessário para as famílias que possuem um cotidiano atarefado de trabalho e preenchido com as obrigações do dia a dia, as casas de repouso para idosos da RPT (Região do Polo Têxtil) têm a cada dia se distanciado do conceito de “asilos” e buscado ambientes mais próximos de residências. Idosos e familiares da região têm apostado nesses estabelecimentos como ambientes de tranquilidade para passar o final da vida. 


Muitas dessas casas nem de longe lembram os chamados “asilos” ou as ideias de abandono e solidão. Nas cinco cidades da região, pelo menos 700 idosos hoje vivem em 30 casas de repouso, sejam elas particulares ou beneficentes.

É o caso do representante comercial aposentado Antonio Volpato, de 70 anos, que mora em uma casa de repouso particular desde o ano passado. Ele contou que o estabelecimento apareceu como opção depois que ele sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) e não teve mais condições de morar sozinho. “A gente sente saudades de casa, mas fiquei doente e vim para cá. Hoje já estou acostumado, a gente está sempre brincando com o pessoal”, afirmou.

A aposentada Neusa Tizo, de 81 anos, está há três anos na casa de repouso. Ela também morava sozinha e optou por se mudar para o local. “Agora eu tenho com quem conversar, recebo muito amor e carinho”, disse. Mesmo na casa de repouso, dona Neusa não abandonou sua vida social e sempre sai com os familiares aos finais de semana e não se esquece dos compromissos marcados com a vaidade e vai constantemente ao salão de beleza.

As casas de repouso são frequentadas por pessoas com idades entre 60 e 100 anos de idade. A maior parte é acometida de doenças como AVC e os males de Alzheimer e Parkinson. Muitos são acamados e precisam de auxílio para as necessidades mais básicas. “A família procura a casa de repouso no momento em que percebe que não consegue mais cuidar do idoso”, explicou a enfermeira responsável por uma das casas, Daniela Manfre de Oliveira. “A família já chegou ao extremo, já tentou de tudo e não dá mais conta”.

Os representantes das casas de repouso particulares ouvidos pelo LIBERAL relataram que não há abandono dos idosos pelos familiares. Os estabelecimentos costumam até mesmo manter essa questão como um dos itens do contrato e obrigam os familiares a fazerem pelo menos uma visita por semana aos internos. Em contrapartida, os filhos e parentes podem visitar os idosos a qualquer momento. Alguns fazem esforço para levar até mesmo os acamados para passear. Principalmente no período de adaptação do idoso, alguns familiares escolhem justamente os momentos das refeições para visitar os parentes e tirar as dúvidas sobre a qualidade do atendimento oferecido.

Custo por mês pode chegar a até R$ 3 mil

Para contratar os serviços de uma casa de repouso, a família pode ter um gasto entre R$ 1 mil e R$ 3 mil por mês. Em geral, a despesa é paga em parte com a aposentadoria dos idosos e a outra parte é dividida entre os filhos. Algumas casas também fornecem o serviço de creche, onde os idosos permanecem apenas no horário comercial, quando os filhos estão no trabalho.

O cuidado com a saúde também é um ponto favorável para a opção pelas casas de repouso, já que os idosos ficam constantemente sob os cuidados de profissionais da área, que administram da maneira correta os remédios e tratamentos.

A Vigilância Sanitária também exige que os idosos moradores de casas de repouso sejam submetidos a atividades. No entanto, muitos relataram que preferem mesmo descansar. Duas vezes por semana, eles participam de sessões de terapia ocupacional, dinâmicas em grupo, exercícios individuais, artesanato, dança e atividades físicas. Grupos religiosos também frequentam as casas, com visitas e uma boa conversa para passar o tempo. Eles também saem, passeiam com os filhos ou vão à igreja, ao bingo e até mesmo tomar chá com amigos, sempre com acompanhante.

Falta de profissionais gera demanda

Antes de procurar a casa de repouso, muitas famílias tentam contratar algum profissional cuidador para ficar com o idoso em casa, mas a dificuldade de encontrar profissionais adequados leva para a opção dos estabelecimentos. Na região, encontrar funcionários interessados em uma dedicação integral aos idosos, com paciência e carinho para cuidar dessas pessoas, não é tarefa fácil. A rotatividade nesse tipo de emprego em geral é alta.

“A família geralmente leva mais de um mês para se decidir pela casa de repouso. Vemos muitos familiares tristes e abatidos porque pensam que não são capazes de cuidar do seu pai ou da sua mãe”, explicou a enfermeira. “Para os idosos, não é tão complicado quanto é para a família. Eles não sentem tanto porque aqui eles recebem uma atenção integral e nem sempre isso é possível em casa, com os familiares”.

Responsável por outra casa, o enfermeiro Valter José Rezende explicou que, em geral, os idosos não contam com casas adaptadas, os familiares trabalham e não possuem disponibilidade para os cuidados exigidos. Ele explicou que o número de famílias que procuram os serviços das casas de repouso aumentou em função da popularização do Estatuto do Idoso. “O filho tem que trabalhar e o idoso não pode ficar sozinho. Ele pode se machucar, cair ou provocar acidentes. Hoje existe uma fiscalização sobre isso”, afirmou.

Na maior parte dos casos, a família é que toma a decisão de contratar a casa de repouso. Em um dos estabelecimentos visitados pela reportagem, uma senhora resolveu por conta própria procurar o serviço. Ela era viúva, não tinha filhos e morava sozinha. Após sofrer um AVC, resolveu visitar várias casas de repouso e escolheu uma para morar.

Rezende contou que alguns idosos demonstram um pouco de resistência no momento de ir para a casa de repouso, mas depois se acostumam. “Depois que eles vêm, não querem mais ir embora”, contou. “A primeira imagem é de asilo, mas a casa de repouso é como uma residência”. Ele disse que alguns ficam depressivos nos primeiros dias, mas depois começam a conversar. “Eles melhoram com a convivência com outros idosos. Aqui também já aconteceram alguns namoricos e até um selinho eu presenciei”, contou o enfermeiro.

Prefeituras fecham cerco a clandestinos

A RPT também já registrou casos de casas de repouso que tiveram que ser fechadas em função de irregularidades denunciadas. Um dos casos aconteceu há um ano, em Hortolândia. Os responsáveis pela casa foram acusados de maus-tratos e de não alimentar os idosos. Por isso, o local teve que ser interditado pela Vigilância Sanitária.

Outros dois casos foram registrados em Nova Odessa, em 2009. Após várias notificações da Prefeitura para melhoria nas condições dos locais, os estabelecimentos tiveram de ser fechados. Foram constatados problemas na estrutura física e também dificuldades operacionais, como a falta funcionários e de controle da medicação fornecida aos internos, dos prontuários e receitas médicas.

Para evitar esse tipo de ocorrência, as prefeituras da RPT têm acompanhado de perto o funcionamento das casas de repouso. Alguns estabelecimentos ainda não estão totalmente regularizados, mas os setores de fiscalização acompanham todos os trâmites para que as adequações sejam providenciadas.

A Prefeitura de Hortolândia informou que estabelecimentos clandestinos que apresentavam irregularidades foram lacrados e encerraram as atividades. Em Nova Odessa, após as denúncias recentes, a fiscalização passou a ser realizada a cada quatro meses pela Vigilância Sanitária. O Código Sanitário Estadual exige que a fiscalização ocorra apenas uma vez por ano.

O QUE DIZ A LEI
“É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária (Estatuto do Idoso, instituído pela lei federal 10.741, de outubro de 2003)”.

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