O potencial de consumo da terceira idade
Via Administradores
Foi-se o tempo em que ter mais de 65 anos significava pijama, remédios e horas em frente à televisão. Cada vez mais ativos, os idosos têm potencial de consumo que pode ser bem aproveitado por pequenos empresários. Academias de ginástica, dança e yoga, agência de viagens, restaurante com música ao vivo e escolas de informática são algumas possibilidades. O investimento vai de R$ 20 mil a R$ 150 mil.
Acompanhando o crescimento da população maior de 65 anos, a oferta de crédito para aposentados sofre incremento. Segundo a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), nos últimos sete meses do ano passado, foram R$ 345 milhões emprestados para aposentados do Estado do Rio. Indicativo de que o potencial de consumo dessa parcela da população só aumenta, fomentando bom mercado para pequenos empresários.
Até mesmo segmentos tradicionais começam a olhar com mais atenção para a população de terceira idade. O restaurante Espaço Urca, no Rio Sul, oferece programação musical especial para quem já passou dos 65 anos. “São duas horas de músicas antigas”, explica Alencar d”Ávila Magalhães, sócio do restaurante. Magalhães diz ser possível montar um empreendimento do tipo com R$ 150 mil, em 100 metros quadrados, mas sem o ponto comercial.
- O preço do ponto varia muito. Pode ser mais baixo nos pequenos shoppings da Barra. Aliás, estar em shopping center é uma tendência e o público de terceira idade forma clientela interessante – explica. A música ao vivo é, segundo o empresário, uma forma de fidelizar clientes. “Atendemos à muitas famílias, que reúnem avós e netos”, afirma Magalhães.
Empresário deve se adaptar aos novos hábitos do cliente
O consultor Ulysses Reis destaca que praticamente todos os negócios podem se preparar para atender a demanda de idosos. “Desde que mudem sua visão da velhice, o que significa entender que os idosos hoje têm comportamento diferente de outras gerações: saem, trabalham e planejam continuar a vida depois da aposentadoria”, diz o consultor.
Além de saírem mais de casa para passeios na vizinhança, os idosos estão mais dispostos a viajar. Os primeiros a ganhar com essa disposição são os que coordenam as agências de viagem. Afinal, recebem um público com tempo e dinheiro. Segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav-Rio), é possível abrir uma agência com R$ 40 mil, mas o capital de giro é alto e o retorno, demorado.
Há 17 anos no mercado, a Belle Tours está se estruturando para focar nos clientes que já passaram dos 65 anos. “A segmentação é um caminho para as agências. A clientela de terceira idade é exigente. É preciso ter espaço confortável, profissionais qualificados e pacientes”, explica Luiz Carlos Magdaleno, sócio da agência.
Magdaleno diz que esses consumidores gostam de saber detalhes sobre destinos, hotéis e meios de transporte. “Quem atende precisa ser bem informado e dar todas as respostas”, diz o empresário, acrescentando que é possível começar no ramo com investimento baixo, montando um escritório simples. O fundamental, segundo Magdaleno, é relacionamento. “O que inclui clientes e fornecedores, como as operadoras”, completa Magdaleno. A margem de lucro fica em torno de 7%.
Além da diversão, os idosos querem aprender. O curso de informática P&P mantém, em São Paulo, uma escola experimental para alunos com mais de 50 anos. O investimento inicial começa em R$ 100 mil e o faturamento médio mensal é de R$ 30 mil.
- É preciso estudar a localização e a clientela da região, devido à saturação do mercado – alerta Paulo César Santos, sócio do P&P, que inaugurou uma segunda unidade, em novembro passado. Apesar da demanda crescente, ele alerta que a contração da renda também afeta o negócio. “Mesmo numa área nobre, como os Jardins, onde instalei a unidade piloto, há clientes que reclamam dos preços”, lamenta.
A solução, segundo ele, é investir nas aulas em grupos, em detrimento das particulares. “O cuidado começa na escolha dos professores, que devem ter bom relacionamento com seus avós”, explica. Santos relata o crescimento da procura por cursos mais complexos. “Hoje, 80% dos alunos buscam inclusão digital. Mas essa realidade só deve durar mais 15 anos”, explica, completando que profissionais de carreira prolongada, como advogados e dentistas, precisam lidar bem com a informática para trabalhar.
Raio x curves (franquia) Negócio: Academia somente para mulheres Investimento inicial: US$ 26 mil (com taxa de franquia e maquinário, sem ponto comercial e instalação) Taxa de franquia: US$ 16 mil Taxa de royalties: R$ 1,2 mil fixos Taxa de publicidade: R$ 600 fixos (ainda não cobrados) Faturamento médio mensal: não divulga Margem de lucro sugerida: 50% Número de funcionários: 3 (até 400 alunas) Área: 130 metros quadrados Risco: baixo, pois a segmentação é uma tendência no ramo.
Agência de viagens (própria) Investimento inicial: R$ 40 mil Faturamento médio mensal: não divulga Margem de lucro: 7% Número de funcionários: 3 (somente administração) Área: 50 metros quadrados Risco: baixo, com pesquisa de mercado sobre o comportamento do público-alvo
Escola de dança (própria) Investimento inicial: de R$ 10 mil a R$ 20 mil Faturamento médio mensal e margem de lucro sugerida: não divulga Número de funcionários: 5 (sendo dois professores) Área: 60 metros quadrados Risco: baixo, desde que haja cuidados como escolher um ponto comercial sem escadas
Bar e restaurante (próprio) Investimento inicial: R$ 150 mil (maquinário e montagem, sem ponto comercial) Faturamento médio mensal: não divulga Margem de lucro sugerida: 20% Número de funcionários: 6 por turno Área: 100 metros quadrados Risco: médio, porque o mercado é concorrido e é preciso se diferenciar
Escola de informática (própria) Investimento inicial: R$ 100 mil (30 computadores) Faturamento médio mensal: R$ 30 mil Número de funcionários: 12 Área: 150 metros quadrados Risco: médio, pela concorrência
Academia de yoga (própria) Investimento inicial: R$ 60 mil Faturamento médio mensal: R$ 20 mil Margem de lucro sugerida: 20% Número de funcionários: 1, desde que o proprietário seja professor Área: 200 metro quadrados Risco: baixo pela procura por bem-estar Fonte: empresas, Abav-Rio e Ulysses Reis, da Treinasse Soluções em Varejo
Serviço Abav-Rio, 3231-7799 Belle Tours, 2523-1242 Curves, 3366-4490 Espaço Cultural Delírio Carioca, 2522-1313 Espaço Urca, 2275-1148 Núcleo Cultural Samyama de Yoga, 2264-9037 P&P, 0xx-11-3884-5399 Treinasse Soluções em Varejo, 2267-9454
A hora dos exercícios físicos
É crescente a recomendação de atividade física moderada para quem faz parte da terceira idade. Academias (de ginástica e yoga) e escolas de dança atraem quem já passou dos 65 anos não apenas pela preocupação com a saúde, mas também pela possibilidade de ocupação social. Promover a sociabilidade através da dança é um dos objetivos do Espaço Cultural Delírio Carioca, aberto por Toni Sá no início de 2004.
- A dança é uma ginástica social e, mais do que ensinar passos, é preciso deixar os idosos praticarem – afirma, recomendando a instalação de sistema de ar-condicionado e atenção à legislação ao obter alvará. “A dança tem sido cada vez mais valorizada e a procura por alunos de terceira idade é crescente”, completa Sá. À frente de escolas de dança desde 1993, Sá diz que é possível abrir uma escola com cerca de R$ 20 mil.
Outra opção para investir no ramo de atividade física, mas no franchising, é a rede americana de academias Curves exclusiva para mulheres. O investimento em uma unidade da Curves é de US$ 26 mil e não inclui o ponto comercial, nem a montagem. No País, são dez unidades (quatro no Rio) e a rede busca franqueados com dedicação integral e, de preferência, do sexo feminino.
- O treinamento gerencial é feito nos Estados Unidos – explica Marcelo Collares, representante da marca para o Estado. Segundo ele, 90% das alunas da rede têm mais de 40 anos. “O ambiente feminino é descontraído, deixa à vontade senhoras que não estão exatamente em busca do corpo perfeito”, diz Collares, destacando que o valor do investimento depende da necessidade de obras no ponto comercial.
A Yoga é mais uma atividade que conquista a terceira idade. A prática é crescente entre os que buscam bem-estar e qualidade vida. “A ciência já constatou que a prática milenar da yoga traz bons efeitos para a saúde, contribuindo para o aumento da demanda”, analisa Horivaldo Gomes, do Núcleo Cultural Samyama de Yoga.
Gomes estima em R$ 60 mil o capital necessário para montar uma academia de yoga, investindo ao longo de dois anos. “É fundamental o empreendedor acreditar na filosofia e se formar como professor”, completa Gomes, também presidente da Federação de Yoga do Estado do Rio de Janeiro. Para manter-se no mercado, ele recomenda buscar capacitação em instituições como o Sebrae. “A melhor divulgação é feita pelos próprio alunos”, diz.


