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Idosos e direção, até quando é possível dirigir?

Via Mariana Terapeuta Ocupacional

No Brasil, legalmente não há idade máxima para uma pessoa continuar dirigindo um carro. É necessário apenas que a Carteira Nacional de Habilitação esteja em dia.

Mas a partir dos 65 anos a renovação, que antes deveria acontecer de cinco em cinco anos, passa a ser obrigatória a cada três.

Diminuir o tempo de prestação de contas ao Conselho Nacional de Trânsito parece óbvio pensando nas mudanças que a idade traz ao corpo. Contudo, quais são os exames realizados? O que conta para o médico achar que idoso não é mais capaz de dirigir? O que fazer para continuar dirigindo pelo maior tempo possível?

 

 

Para responder a essas e outras questões convidei o Dr. Leonardo Lopes, médico geriatra colaborador do Hospital das Clínicas de São Paulo e presidente da Comissão de Educação Continuada da Sociedade Brasileira de Geriatra e Gerontologia.

Mariana Fulfaro – Por que os idosos precisam renovar a carteira de habilitação a cada três anos?

Leonardo Lopes - Basicamente porque a legislação exige que sejam avaliados por um médico. Nesta avaliação, o médico pergunta a respeito de sintomas que possam indicar doenças graves que impedem os idosos de conduzir automóvel, por motivo de segurança. A maior parte dos idosos é capaz de dirigir normalmente, mas a avaliação é necessária.

Que tipo de exames os médicos fazem para saber se os idosos

Dr. Leonardo Lopes é médico e trabalha diariamente com idososDr. Leonardo Lopes é médico e trabalha diariamente com idosos

podem ou não continuar a dirigir?

É realizado exame físico especialmente voltado para o coração e a pressão arterial. O idoso também é submetido a exame de vista.

Qualquer médico pode avaliar se o idoso está apto a continuar dirigindo ou necessariamente precisa ser um médico geriatra?

No Brasil essas avaliações são realizadas por médicos do departamento de trânsito, treinados para avaliar os aspectos já citados. Já existe uma especialidade médica chamada de Medicina de Tráfego, que estuda profundamente todos os aspectos da saúde relacionados à direção veicular, incluindo os preventivos.

É muito comum, entretanto, que pacientes idosos liberados para dirigir apresentem problemas clínicos que os colocam em risco. Isto ocorre porque os aspectos avaliados na consulta de renovação de carteira são muito restritos e a consulta, habitualmente, rápida. Pouca ênfase, por exemplo, é dada aos sintomas cognitivos e à memória dos idosos. Sabemos que dificuldades de memória podem prejudicar a capacidade de dirigir, mas para isso é necessário realizar uma avaliação cuidadosa. Assim, é muito comum que o médico que acompanha o paciente e sua família percebam antecipadamente que o idoso apresenta dificuldades para guiar, quando começam a acontecer confusões em trajetos, esquecimentos ou pequenos acidentes.

Que problemas de saúde podem ser decisivos para que o idoso deixe de dirigir?

Dificuldades graves de memória (demência), depressão, uso de medicamentos com efeitos colaterais na capacidade de percepção e nos reflexos, dores articulares que podem reduzir a agilidade, dificuldades visuais, auditivas e tremores.

O que os idosos podem fazer para continuar dirigindo pelo maior tempo possível?

Manter uma vida saudável, com foco na prevenção.

A maior parte dos impedimentos para dirigir são decorrentes de doenças preveníveis. O diagnóstico precoce de problemas de saúde também evita que surjam sequelas que levam a limitações.

Para aqueles que já apresentam alguma dificuldade, poderão continuar dirigindo com segurança ao evitar muito tráfego (horários de pico) e a direção noturna.  O idosos com alguma limitação frequentemente conseguem manter-se ativos na direção quando optam por guiar em horários mais tranquilos, por trechos já conhecidos e, se necessário, acompanhados.

É muito importante lembrar que o automóvel representa para muitos idosos a forma de se manter conectado ao mundo de forma independente. Por meio do carro, mantém seus vínculos sociais, principalmente pelas dificuldades no uso do transporte público. A perda da capacidade de guiar representa um impacto emocional muito significativo, favorece o isolamento social e a depressão.

*Dr. Leonardo Lopes é membro titulado e presidente da Comissão de Educação Continuada da Sociedade Brasileira de Geriatra e Gerontologia. É médico assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. Para entrar em contato com ele escreva para lclusp@usp.br

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